segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Eleições e o segundo debate: minhas observações

Ocorreu ontem na redetv! o segundo debate entre os presidenciáveis: Dilma, Serra, Plinio e Marina. O debate de ontem mostrou coisas muito claras em relação aos momentos e perfis dos candidatos em disputa.
Ém ordem crescente de posição nas pesquisas:

Plínio: Intelectualmente falando, disparado o personagem mais preparado e capacitado da disputa. Ele transmite confiança quando fala. Mais diretamente, quando fala transparece que sabe muito bem do assunto que tá falando. Tem um ótimo senso de humor que deixa transparecer segurança no momento em que está. A passagem onde foi questionado do que achava de política de compras de conteúdo local da Petrobras, em relação a plataformas feitas em Singapura, foi ótima e deixou no ar honestidade nas palavras e humildade: "Não sei (...)presidente não ter que saber de tudo (...)A Dilma agora pegou o Plínio no pulo". Muito legal. E ele ainda reclamou do debate ter virado uma questão só de ofensas e respostas entre Dilma e Serra. "E as questões centrais? Estão fora do debate" explanou muito bem ele. Pode-se dizer que o Plínio, para o grande público em geral, é a revelação das eleições!! hehe isso para um senhor de 80 anos. É notável nele a paixão com que fala nos problemas do país. Quando ele fala, transmite a ideia de que é preciso mudar muito e com isso traz, talvez na utopia, a esperança. Um tom meio que messianico no que fala. De mudança com esperança. Uma grande pena que não concordo com suas propostas. Ele deixa bem claro o que propõe e o impacto disso. É o mais honesto intelectualmente. E se saiu muito bem no debate.

Marina: Ela se propõe como a candidata de oposição aos 16 anos de FHC e LULA mais uma agenda ambiental diferenciada em relação aos outros candidatos. Em relação ao debate, ela ficou na sombra do debate. Que foi polarizado entre a Dilma e o Serra. No entanto, o Plínio conseguiu se impor. Ser visto. A Marina ficou a sombra de todo mundo e podemos dizer que passou sem ser muito notada. Isso para um candidato que precisa de milhões de votos é a única coisa que não pode acontecer. Em relação a tal estratégia, acho um grande erro se colocar como opção a 16 anos de política FHC e LULA. Primeiramente porque ambos os governos tiveram êxitos e problemas. Eu já acho complicado e muito picareta compara o FHC e o Lula pois passaram por períodos muito diferentes tanto da economia brasileira e internacional. E pior ainda é botar os dois no mesmo saco como a Marina tá fazendo. Uma outra coisa que me intriga na Marina, estaria mesmo a sociedade brasileira amadurecida a ponto da questão ambiental fazer a diferença nas eleições?? Não sei, estou especulando mas eu acho que não. E no principal de investimentos/pobreza/emprego/reformas ela não acrescenta nada de novo em relação a Serra e Dilma. Com isso não consegue ganhar espaço.

Serra: Em teoria o candidato mais conhecido do grande público. Tanto por outras eleições como também por eleições na principal região econômica do país: São Paulo. Com bom início nas pesquisas o candidato se perdeu em algum momento da campanha. No debate só se preocupava em atacar o governo e Dilma. Uma coisa desse tipo só teria impacto real se fosse algo diretamente ligado a Dilma. Ou seja, algo especificamente pessoal a ela. Com isso esses ataques só o deixam com pose de desesperado. Uma coisa me surpreende nessa sua campanha para presidente. Sabendo que a o Lula goza de grande popularidade e penetração na camada mais pobre e que iria naturalmente colar a isso na sua candidata, as propostas do Serra teriam que ser trabalhadas ao máximo para mostrar que o programa de governo dele seria melhor que o da Dilma. Para ganhar as eleições no argumento do programa. O governo do Lula não é isento de erros e isso que ele deveria mostrar. Por exemplo, fez bem quando perguntou do Irã. Uma boa sacada. Mas e o resto? E nos pontos que o PT foi bem, ele deveria mostrar que poderia fazer melhor. Enfim, parece que não se preparou para a eleição e agora tá desesperado. Tanto isso é verdade que ele deve obter uma porcentagem de votos na eleição menor do que a obtida em eleições anteriores.

Dilma: Em um posíção de líder das pesquisas, com somente um seguidor, a candidata tem que se preocupar em não perder votos pois está em posição de quase ganhar no primeiro turno. Em relação as propostas ele prega, com razão, o continuismo dos programas e políticas do governo dela. Assim ela não perde praticamente a totalidade dos simpatizantes do Lula. Ou seja, para ela o discurso e o plano de governo "já está mais pronto" posso assim dizer. Uma questão minha é que ela ainda não foi capaz, pelo menos pra mim ressalto, é o quão diferente do Lula a Dilma seria. Não sei até que ponto isso influencia e talvez essa questão seja mais uma curiosidade minha sobre a candidata. Para o grande eleitorado quanto mais próxima ao Lula melhor. E com o Serra sem proposta mais fácil ainda fica a atuação nos debates e entrevistas. O ponto forte da Dilma no debate foi que ela estava mais preparada e seguda de si nas perguntas sobre corrupção. Segurança essa que ela não teve no primeiro debate. Sendo isso ela não mostrou fraqueza e o único caminho que o Serra buscou estava "bloqueado" pela atuação da candidata. Do mesmo ponto que o PSDB não fez o trabalho de casa para com o programa do governo, parece que o PT fez seu trabalho de casa e não deixou que a Dilma não ficasse nervosa. Mas uma coisa a se observar que quando foi confrontada pelo Plínio sobre moradia, em uma pergunta direta sobre uma proposta, a candidata saiu pela tangente e não respondeu objetivamente o que lhe foi perguntado. Falou do programa de governo já muito bem ensaiado. Talvez a única crítica é esse discurso muito bem ensaiado e de certa forma "enlatado".

Agora uma consideração em relação a essa eleição. Está é realizada em um momento bom da economia. Uma eleição não é apenas uma competição entre os candidatos. Ela está intimamente ligada com o momento o qual o país está atravessando. O país está crescendo. E como isso influencia o processo político? Por exemplo (extremo é verdade), como que ditaduras consegue legitmação perante o povo? Casos de Brasil e China com crescimento econômico vigoroso. Ou seja, quando a economia vai bem, para o grande eleitorado, o povão, as coisas estão bem. Para o "povão", tendo emprego, alimentação e acesso a bens de consumo que antes não tinha, as coisas estão boas (em um sentido mais geral). Como disse o estrategista político do Bill Clinton: "The economy, stupid".
Voltando a eleição atual, com o país crescendo bem a possibilidade da população optar pelo continuísmo é maior. Ou seja, o condidato do Lula naturalmente teria mais chances de vencer. Isso parece ter sido o grande negligência do Serra/PSDB e não se prepararam para vencer nas propostas o "continuismo natural" que o PT teria nessas eleições.

Espero que após esse longo post (ufa) pelo menos concordem de algo =P

Um comentário:

  1. Bom,fiquei com a sensação de que o debate não teve o seu objetivo alcançado.Trocas de farpas e acusações que minaram qualquer chance de vermos questões importantes em pauta.Sem dúvidas o Plínio foi o destaque do debate e deu um toque final com aquel tirada do "fui pego no pulo"rsrs

    Muitoo bom Diegão!

    Raquel

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