quinta-feira, 21 de outubro de 2010

democracia

Democracia...

Em um momento em que estamos vivendo a tal “festa da democracia” seria oportuno divagar sobre essa tal de democracia e minhas opiniões sobre ela no Brasil.
Primeiramente vou deixar claro muitos pesquisadores não conseguem deixar claro um conceito de democracia. Então pode ser que eu esqueça algum tópico do tema.
A democracia enquanto sistema deve ter por objetivo representar os desejos da população. Realizando um tratamento igual a todas as pessoas, objetivando os anseios da maioria, mas respeitando as minorias. Assim as eleições determinam as pessoas que, em nome do bem estar público, vão gerir, governar, pensar as estratégias para o desenvolvimento do povo. Com isso temos que, de certa forma, o povo cede o poder proveniente dele para um grupo de pessoas que este povo julga mais capacitada (capacidade de um modo geral) para governar a sociedade. No entanto essa cessão de poder não quer dizer que o povo faz a sua parte apenas nas eleições. Cabe a ele cobrar, opinar, reclamar, elogiar sobre a atuação dos seus eleitos. Estabelecendo assim um fluxo de informação contínuo.
Entramos na realidade brasileira. A classe política de um modo geral satisfaz os problemas da população? Mas profundamente, o povo vê a atuação da classe política como atuando bem? Para essas duas respostas penso que a maioria responderia que não. E diriam que isso é imutável. Algo sistêmico. Assim chego à conclusão que temos uma falha representativa sistêmica da nossa democracia. Muito comum ouvir: “ninguém faz nada e todos roubam”.
Outro ponto é a questão da opinião do povo sobre o momento da sociedade e da atuação do governante. As pessoas/imprensa são livres para opinar, discutir, relatar, expor erros dos governantes. Falando propriamente das pessoas, há uma noção geral de que reclamar e expor as opiniões não faz diferença. A existência de ouvidorias em órgãos governamentais como assembléia legislativa, política, saúde é quase que ignorada pela população. Isso em parte porque há uma falta de gestão por parte dos governos em ouvir de fato essas opiniões. Opa! Então têm uma falha de eficiência em um instrumento democrático. Em relação à imprensa, aqui ninguém é criança de achar que a imprensa é imparcial. Pessoas e instituições (enquanto seres encravados na sociedade) apresentam suas próprias opiniões e sofrem de incentivos para agir. Dado isso, a liberdade para essa imprensa seria necessariamente ser “vigiada” para não cometer abusos em suas opiniões? A resposta é não. Há meios democráticos para isso. Famosas ações de injúria e difamação na justiça são os meios de se apresentar queixar, ouvir defesa e um júri (independente) julgar. E assim, democraticamente avaliar as ações. Se por acaso, os acusados não denunciam os denunciadores, ou eles estão no ambiente: ele me acusa e eu acuso de volta ou eles próprios reconhecem que a não existe um judiciário independente.
Ahhhh...três poderes independentes é outro requisito da democracia. O executivo está para agir, no entanto, não pode fazer tudo o que quer, o legislativo está para discutir ações/leis/projetos e o judiciário está para ver se tudo está de acordo com as leis que regem a nossa sociedade.
Outro ponto importante para a existência de uma sadia democracia é a existência de oposição forte e coordenada, a alternância de poder entre as correntes políticas, mantendo um equilíbrio mínimo, para que não ocorram desvios ideológicos extremos por parte dos governantes. Seja para a esquerda ou para direita. Outro ponto, importante sobre o tema é que a pessoa em que esteja no governo nunca deve ser maior que o posto de presidente da república, por exemplo. A existência de personificação de pessoas por parte da população pode existir, mas há uma linha tênue entre a boa popularidade e o populismo.
Seguindo o Stanford, um dos pilares da democracia diz a respeito do papel do cidadão na democracia. Para o bom funcionamento da mesma, o cidadão “têm a obrigação de se informar sobre questões públicas, para assistir atentamente a forma como os seus líderes políticos e representantes de usar seus poderes, e para expressar suas próprias opiniões e interesses (...). Mas, para votar com sabedoria, cada cidadão deve ouvir as opiniões dos diversos partidos e candidatos e, em seguida fazer a sua própria decisão sobre quem apoiar.” De um modo geral, uma democracia puljante precisa que o cadidão esteja apto a participar dela. Participando como? Pensando, observando e julgando a sociedade, os políticos e o funcioamento do estado como um todo. Para isso é necessário que as pessoas entendam o significado e a importância da atuação, do seu voto, de emitir opiniões, de debater. A aptidão que disse acima tem a ver com educação. Mas não a educação enlatada que observamos (matemática, português...) mas sim com fato de fazer o cidadão pensar, raciocinar! Sou de opinião que matérias como filosoia, sociologia, cidadania devem ser ao menos discutidas em algum momento da formação da pessoa. Ou seja, não é possível que o nosso sistema democrático dê o poder de voto a uma pessoa de 18 anos sem dar a ela um mínimo de conhecimento sobre o que é democracia e o papel dela nessa sociedade. Sem essa formação, a democracia está dando um tiro no próprio pé!!! Como muito bem observou, Priscilla chegou a duas opiniões as quais concordo. De que a população a não sabe exercer de fato a democracia e que ainda não é capaz de entender a função dos partidos e alianças políticas. Se o poder emana do povo, com faz se este não sabe o poder que tem? Abre-se espaço para estruturas clientelistas que tendem a ter objetivos apenas interesses pessoais ou de determinado grupo.
Apesar desse cenário, em nenhum momento sou pessimista em relação à democracia brasileira. Bem ou mal temos uma justiça eleitoral que funciona que não tem sua idoneidade questionada. Por méritos dela, diga-se de passagem. Temos umas das melhores legislações em proteção das minorias existentes no mundo, por exemplo, estatuto do idoso e legislação para criança e adolescente. O judiciário, por mais que os ricos tenham mais acesso, se mantêm independente. Não são poucas as vezes que propostas de leis do próprio governo são declaradas inconstitucionais. A imprensa funciona livremente. São alguns aspectos que julgo positivos no Brasil.
Poderíamos ter um presidente que tenta se perpetuar no poder, que abafa os adversários políticos, que fecha emissoras de radio e televisão e que manda prender uma juíza por soltar um banqueiro que estava preso sem acusação. Não é mesmo Venezuela?
Não cheguei nem de perto a esgotar o assunto. Mas enfim, essas foram minhas divagações.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Um passeio, um tanto aleatório, nos últimos 16 anos

Um passeio, um tanto aleatório, nos últimos 16 anos

Depois de ser acusado de ser simplista, tentarei colocar o meu ponto de vista do que ocorreu nesses últimos 16 anos em economia. Vamos lá...
Economia é uma ciência social. Isso faz com que ela tenha algumas características que qualquer análise sobre qualquer coisa não pode deixar de ter como pano de fundo. No meu ver eu tenho a impressão que os conceitos de path dependece, cumulatividade e complexidade.
O primeiro deles “Path dependence is the dependence of economic outcomes on the path of previous outcomes”. Ou seja, algo em economia é resultado em parte de um processo contínuo, histórico e gradual. Essa trajetória com isso impõe algum grau de inercialidade na trajetória futura em que a economia irá desempenhar. O segundo, cumulatividade, me diz que estando em uma trajetória, as ações realizadas hoje são em parte reflexão das suas decisões e das outras anteriormente realizadas. De um modo que as decisões não são independentes no tempo e contexto as quais estão inseridas. E por fim, a complexidade na economia, me traz a noção de que nada é totalmente possivelmente explicado e determinado por um modelo de tal modo que a+b=c em 1999 e a+b=d em 2008 é perfeitamente possível.
A idéia geral dos comentários abaixo é mostrar que essas três características fazem com que qualquer propaganda política no melhor estilo “no meu governo eu fiz mais que você no seu” e “eu fiz no estado mais do que você devia ter feito pelo país” é extremamente cheia de ruídos e em muitos momentos simplória. Por isso gostaria de pedir, e é o que eu to tentando fazer, analisar propostas, sem ideologia, para decidirmos o que é melhor, em temos de proposta, para o futuro do país. E não fazer um julgamento histórico FHC x Lula, pois este apresenta dois problemas: um é que não temos o distanciamento histórico para julgar, logo a análise está prejudicada e o principal, não será nenhum dos dois que estará sentado na cadeira de presidente a partir de primeiro de janeiro. Ou seja, tanto o Serra quanto a Dilma, pelo simples fato de serem pessoas diferentes farão governos diferentes que seus “padrinhos” políticos.
Nos últimos 16 anos saímos de uma situação de fraqueza por parte do estado, baixo dinamismo econômico, inflação e pouca relevância no cenário internacional.
Macroeconomicamente falando, iniciaram-se com um câmbio fixo, metas de inflação e superávit primário. Tivemos nosso primeiro grande sucesso com a inflação. Depois começou um debate sobre por quais que o Brasil não cresceria. Isso já se constatava um grande avanço. Fazia 20 anos que o Brasil não crescia e só se falava em inflação que até o debate sobre o crescimento tinha minguado. Abrindo um parêntese, livro muito bom: “Por que que o Brasil não é um país de alto crescimento?” Até que o Brasil de fato começou a crescer, principalmente no final do segundo governo Lula. Nesse rápido resumo sobre inflação e crescimento, pelo menos eu tenho a impressão de uma trajetória bem definida, com grande cumulatividade das ações. Se no passado crescíamos com pressão inflacionária, neste momento com o plano real foi decidido primeiro acabar com a inflação. Era o nosso “monstro” da vez. Após isso, em cima de uma inflação controlada passou-se a ter um debate em relação ao crescimento econômico. Que é o “monstro” da vez. Ou seja, estaríamos hoje discutindo crescimento, geração de emprego e outras coisas mais se não tivéssemos controlado a inflação? Fazer a pergunta contra-factual é sempre bom. Fica claro, pelo menos pra mim, que a cumulatividade se fez presente em uma trajetória na economia brasileira. E com isso, qualquer comparação simples (ou melhor, simplória) prejudica a formação de opinião.
A grande “inovação”, em termos de política econômica, do governo Lula foi o foco de uma política social clara e focada. Não vamos esquecer que o combate a inflação foi disparado a maior política social do governo FHC. A inflação do modo que estava se configura como o maior e mais perverso imposto sobre os pobres. Um imposto regressivo, ou seja, que os pobres pagavam proporcionalmente mais que os ricos. Piorando assim a distribuição de renda. Os ricos podiam se defender da inflação com acesso a bancos, por exemplo. Combate a inflação não é por si só uma política social e é justificado por outros argumentos de ordem econômica. Mas não vou entrar neles. Mas não podemos deixar de observar esse impacto social do combate a inflação. Voltando a política social. Com uma política social forte, o governo atacou um dos grandes problemas do desenvolvimento de longo prazo do Brasil. A distribuição de renda. Com um crescimento de renda mais dinâmico dessa parte da população, a ponto de melhorar a distribuição, introduzíamos uma nova fonte de crescimento na sociedade. As classes mais pobres começavam a ter renda que lhe dava acesso ao consumo, que gerava produção, que gerava empregos, e por aí a roda da economia vai em frente, ou seja, crescendo. Temos então uma trajetória, uma cumulatividade, aonde ambos os governos tiveram méritos. Méritos muito diferentes, mas inegáveis do ponto de vista social e econômico.
Mudando o rumo em 180 graus e falando de crises econômicas que ambos os governos enfrentavam. No segundo governo FHC, dos quatro anos de governo em três deles tivemos crise. E no único que não teve o país cresceu a 5,4% (se eu estiver errado nessas informações, por favor, me corrijam). Nas três crises tivemos um contágio via cambio fixo, reservas, e ataque especulativo que impactou internamente a crise até então fora do país. Com isso a crise encontrou um meio de entrar nas “engrenagens” da economia brasileira. Vamos lembrar que o câmbio (ainda tem acento isso depois da reforma ortográfica?) fixo era um dos pilares do combate a inflação. Um dos debates sobre isso é se demoramos demais a flexibilizar o câmbio, de modo a ter evitado o que ocorreu. Mas a preocupação na volta de inflação fez com que esse câmbio fixo fosse mantido até aonde deu. Em suma, crises que conseguiram de certo modo se endogeneizar na economia brasileira.
A crise enfrentada no segundo governo Lula foi o maior decable desde 1929. Uma crise originária nos EUA e que se alastrou fazendo com que países chegassem a ter um crescimento negativo de incríveis 15% no seu PIB. No entanto, enquanto uma crise fora do Brasil, essa última crise encontrou um país mais sólido. O câmbio não seria mais problema. Já que estava em regime flexível (dirty floating), as reservas internacionais estava recompostas (elevação do comércio internacional e em especial as commodities internacionais fizeram com que saldo comercial e juros nas alturas fizeram entrar dólares que a atuação do Bacen fez com que se convertessem em reservas), com consumo interno em alta.
Nesse ponto abrirei pontos: o primeiro é que o sistema bancário/financeiro do Brasil está fechado em relação ao exterior, no quesito de não ter muitas operações com o epicentro da crise e está bem oligopolizado. Engraçado que essa estrutura de mercado foi estimulada pelo FHC com um PROER (Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional) programa que recebeu muitas críticas. Justas ou não é outra coisa que não vou me meter. Mas que fortaleceu o sistema nacional. Hoje em dia, quantas notícias não ouvimos sobre os lucros dos bancos. Estes obtidos internamente. Ou seja, o sistema estava fortalecido internamente e por uma não exposição direta a crise. Não existiam ligações financeiras do centro da crise com as instituições que operam no mercado interno. Com isso o Brasil estava “protegido” contra uma endogeneização da crise. Esse foi um ponto de não contágio do Brasil. Certamente amorteceu em muito os impactos da crise no Brasil. A nossa trajetória do setor, ações somadas uma as outras, mais uma vez nos mostrou a importância da trajetória. Do outro ponto de vista da crise estava o governo que de um modo geral tinha duas frentes para enfrentar a queda de atividade econômica da queda das importações e da escassez de crédito internacional natural que as empresas enfrentaram: Ou era com aumento de investimentos ou com política monetária expansionista. O primeiro teria preferência. Mas vamos lembrar que fazer um investimento, um porto, por exemplo, demanda tempo. Planejar, licitar, investir e de fator ter um impacto leva tempo. Sem contar que isso requer dinheiro propriamente dito por parte do governo. Então sobrou a política monetária. Muito bem conduzida exceto no fato que os juros poderiam cair mais rapidamente. Uma crítica de grau das medidas tomadas. E incrivelmente, a política social do governo ajudou. O crescimento de consumo das camadas mais pobres fez com que, em um momento de crise, a roda da economia interna não parasse de girar. Mas política social contra a crise? Ta aí a complexidade que disse no inicio. Quem diria que uma ação “em pró dos bancos capitalistas” no governo FHC e da política social do governo Lula iriam atenuar os impactos da crise. Fazendo novamente a pergunta contra-factual, e o setor financeiro estivesse mais ligado internacionalmente? E se estivéssemos ainda com inflação ou sem essa política social? O impacto provavelmente teria sido muito maior. O governo tem seus méritos, claro e evidente. Mas precisamos fazer uma análise menos simplista e mais relativista da coisa.
Em torno da questão de privatização, repudio sinceramente esse debate simplista de “você é de direita, privatiza e vai pro inferno” e “Eu sou de esquerda, tenho amor ao povo e a soberania nacional e vou pro céu”. Muito simples para a lógica econômica e do ponto de vista de estratégia de desenvolvimento do país. Penso que nenhuma privatização é igual à outra. Principalmente pelos benefícios econômicos do setor a ser privatizado (por exemplo, privatizar os correios é igual a privatizar o petróleo) e o papel do setor em uma perspectiva de longo prazo para a estratégia de desenvolvimento do país, verificar se o setor/empresa faz parte de um monopólio natural (podemos ver a diferença clara no resultado da privatização da telefonia móvel x fixa), e a capacidade de gestão e investimento do estado, e na ponta do lápis, tenta estimar benefícios e prejuízos de uma empresa estatal: do ponto de vista que, por exemplo, a vale do rio doce subsidiava aço para outros setores. Tomava prejuízo com isso e o tesouro cobria. Isso vale a pena ou os impostos hoje cobrados da empresa privatizada cobrem esses subsídios? Não são estimativas fácies. Mas é função de nós economistas darmos pelo menos um chute. E daí tirar uma conclusão. Numa lista de emails a Mônica citou o livro os Maus Samaritanos (HA-JOON CHANG) no qual a idéia era de que ele não é contra, só diz que devemos privatizar a empresa certa, no momento certo, pelo preço certo e depois é preciso que se faça uma fiscalização. Por aí segue meu ponto de vista.

Para terminar (finalmente hein..rsrs) um país desenvolvido se caracteriza pelo fato de sua população em grande maioria ter uma condição de vida digna. Logo países como o Brasil, China e Índia, que ainda apresentam grandes populações ainda a margem desse acesso a uma vida melhor, a única saída para eles é crescer. O caso da China é o mais emblemático.
Faltou falar de muitas coisas ainda. Educação e Saneamento básico são, do meu ponto de vista, os principais gargalos a serem enfrentados agora no desenvolvimento brasileiro. Fica quem sabe para os próximos posts.
O Delfin Neto diz que “O Brasil é um país fadado ao crescimento”. Concordo com ele. Vamos e precisamos crescer, a perguntar é “como vamos crescer?” Para isso que temos que analisar as propostas futuras e modelos diferentes. E não ficar em um debate que ainda está bem pobre em termos programáticos.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Políticas de estado x políticas de governo

Em temos policy maker, o que difere ciclo de tendência????
Em linhas gerais as políticas de estado são aquelas que o estado brasileiro faz pensando no longo prazo. Emergem da importância (de suas ações e objetivos) e não depende qual governo esteja no momento. Elas serão realizadas. Ou seja, elas ditam a tendência.
As políticas de governo são, contrariamente, as que variam de governo para governo. Ou seja, mais precisamente as que determinam o ciclo.
Por exemplo, vamos usar o setor energético. Realizados pelo corpo técnico dos ministérios os Planos de energia 2030 e de investimentos até 2019 dão uma noção, direcionamento, visão e planejamento de como acontecerão às coisas no Brasil no setor. Ou seja, uma política de estado para o setor. Que não mudará com PSDB ou PT no poder. Mas o exemplo deste setor específico é copiado para os outros setores? Investimentos? Educação? Teríamos uma meta de qualidade no ensino e expansão de gastos? Saneamento básico? Ou alguém esqueceu de que a grande maioria da população ainda vive sem rede BÁSICA de esgoto.
Enfim, teria o governo um plano de ação (qualquer deles) para colocar o Brasil em um nível razoavelmente decente para sua população no prazo de 20 anos?? Ou seja, um plano de educação, investimento, saúde e segurança?? Ou vamos seguir no melhor estilo “vamoláquedá”? Fazendo os arremedos durante os governos? A grande impressão é que os filhos que eu terei (um dia) estarão num país melhor que o que vivo hoje, mas um pouco melhor somente. Muito mais fruto de ações esporádicas de governos que de uma ação coordenada e planeja. Que obviamente atingiria muito mais amplamente os objetivos.
Perguntas me deixam muito inquieto...Quando teríamos toda a população com saneamento básico? Quando um estudante do RJ teria a mesma qualidade (BOA) do que um estudante do Acre? E acesso a serviços médicos? Temos um plano? Temos uma meta? NÃO TEMOS NADA!!! Nem que existisse pra dizer que tem, para pelo menos correr atrás de uma meta pré-estabelecida. Ficamos apenas no “vamoláquedá”. Pra quem não tem plano, meta, qualquer lugar que chegar tá bom.
Vamos cair então na seguinte questão: O problema não seria a qualidade da classe política? Bingoooooo!! Sim!! Esse é o ponto! Mas se é a nossa democracia que os elegeram, qual o problema? Bingoooooo Falha da democracia!!! Hehe Falha das instituições democráticas do nosso país, falha da educação do nosso país (que não gera cidadãos com boa formação para escolher), falha da democracia enquanto instrumento representativo dos anseios da população e uma grande falta de uma reforma política. Isso sem contar na total descordenação entre níveis de poder.
Mas até que na democracia temos sorte, apesar de achar que a nossa democracia ainda tem muito a avançar, principalmente na questão da cobrança do estado em relação as suas ações, estamos em um patamar muito melhor que Venezuelas e Bolívias da vida. Que muitos morrem de inveja só porque tem bastante plebiscito e confundem que democracia é somente isso.
Penso que o Brasil está muito a frente de outros países. Mas como diz meu pai: “Para de fato ter sucesso é preciso se espelhar nos melhores”. Por isso, fico triste quando penso em votar nulo. Falta ambição, me recuso a votar no estilo do “menos pior”. Faltam políticas de estado e sobram políticas e politicagem de governo.

Eu voto no Cristovam Buarque para presidente

Voltando ao tema políticas de longo prazo. E me usando como exemplo (medoooooo =P)
Estudei no primário em um colégio municipal. Como todo colégio da rede municipal, com qualidade ruim. Muito em função da estrutura e não dos professores, que sempre se esforçaram muito. Para quinta série, fiz a prova para o Colégio Pedro II. Passei. Em 82º de 90 vagas. Da quinta série ao fim do ensino médio, ou seja, em 7 anos tive de tudo um pouco. Latim, artes, música, francês, espanhol, filosofia, sociologia mais o basicão do colégio. Depois disso fiz Economia/UERJ e hoje estou no mestrado da UFRJ. Também em economia.
Sempre tive a certeza de que o “pulo do gato” da minha formação. Ou seja, o que me trouxe até aqui foi o CPII. Uma formação ampla, de qualidade, que não formava somente o estudante, mas o ser humano. Ter aula de sociologia com um professor cego foi uma das melhores experiências da minha vida. Ver uma pessoa superar todas as dificuldades para simplesmente ensinar a ver e entender a nossa sociedade. Isso me faz concluir que o lugar aonde estou, para uma família onde nem meu pai e mãe tiveram curso superior, foi em função da minha educação em casa, obviamente, e formal. Do CPII. Posso afirmar assim que a “política de longo prazo” que mudou a minha vida, que me proporciona hoje ter oportunidades infinitas em relação a que meus pais tiveram foi a educação que recebi.
Mas o que tem isso a ver com o Cristovam Buarque? Ora bolas.
Em 2006, enquanto candidato, tinha uma proposta: Federalizar todo o ensino brasileiro e o padrão seria o CPII. Simples, direto e infelizmente com insucesso. Apenas eu e mais 2,6 milhões de pessoas votaram nele.
O engraçado dessa proposta é que, supondo que ele fosse eleito, o resultado dessa política seria sentido daqui a 15 ou 20 anos, igual a mim, e muito provavelmente no imediatismo dos nossos ciclos políticos ele não seria, por exemplo, reeleito presidente.
Vale o texto, pelo menos pra mim, como reflexão. Podemos mais? Pensamos de fato no futuro? No desenvolvimento? Temos propostas para analisar de fato? As propostas de fato “vão resolver” ou apenas são mitigadores de problemas?
Pelo menos o Cristovam Buarque foi reeleito a senador. Uma coisa a se comemorar em meio a tiriricas e malufs da nossa política.

Lula fez a maior privatização da história do Brasil

Um dos argumentos pró-privatização é a falta de recursos do governo para que as estatais invistam. Assim com telecomunicações, vale do rio doce, etc. Argumento válido, diga-se de passagem. Sob outro ponto de vista, vendeu-se um ativo estatal para a iniciativa privada ter ela lucro. Diriam os mais “radicais”
Uma das maiores críticas do PT ao PSDB nessa zona política em que vivemos é em relação a privatizações.
A Petrobras tem um ambicioso plano de investimentos de, em 5 anos, investir um montante maior que o acumulado em toda a historia da empresa até então, ou seja, desde 1954 (se eu não estou enganado). Isso obviamente implica em de capital para realizar essa montanha de investimentos.
Vamos deixamos claro que ela é controlada pelo governo, mas é dirigida de forma comercial, como qualquer oil international companies (OIC’s), e visa sim o lucro. E claro seus acionistas privados (internacionais em sua maioria) também objetivam o lucro com as suas ações.
Como o governo não tem como colocar dinheiro para capitalizar a empresa, a saída foi ceder onerosamente 5 bilhões de barris para a Petrobras. Ou seja, o governo vendeu 5 bilhões de barris da nação para a empresa. O petróleo é da União enquanto que a Petrobras é uma empresa de capital misto que em sua parte, lembremos, tem acionistas privados. Com isso o governo vendeu um ativo da união para uma empresa que tem participação da iniciativa privada. E essa iniciativa privada também terá um lucro grande por parte dessa ação do governo.
Em números arredondados, participação dos acionistas privados na Petrobras x 5 bilhões de barris = 2,6 bilhões de barris = 22 bilhões de dólares. Ou seja, a maior privatização do Brasil. Do PT . De quem sempre criticou as privatizações do PSDB.
Sejamos honestos, o problema não é privatizar. O problema é a falta de capacidade de investir do estado e sua qualidade na gestão das empresas estatais. No caso da Petrobras o segundo problema foi resolvido. Enquanto que o primeiro não. E por isso foi tomado essa atitude na capitalização. Muito bem feita e necessária por sinal. Ou seja, a privatização não é um mal que nem pintam por aí nem uma salvação que outros advogam. É um meio de fazer dada conjuntura vigente. No caso da Vale o problema era capacidade de investir e de gestão. Mas e por que não privatizaram a Petrobras na época? Um velho bordão dos economistas: “A melhor empresa do mundo é uma empresa de petróleo bem administrada. O segundo melhor negócio do mundo é uma empresa de petróleo pessimamente administrada.” Não podemos esquecer-nos disso: Não podemos colocar no mesmo saco empresas diferentes, com rendas extraordinárias diferentes, de setores diferentes e de importância no mundo MUITO diferentes.
Mas enfim... mas o mais foda de tudo que o Lula fez o que ele critica os outros de terem feito, fez na cara de todo mundo e em época eleitoral e ninguém falou nada!! Hahaha MTO BOM!! Hehehe ponto para ele!! =D