quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Eu voto no Cristovam Buarque para presidente

Voltando ao tema políticas de longo prazo. E me usando como exemplo (medoooooo =P)
Estudei no primário em um colégio municipal. Como todo colégio da rede municipal, com qualidade ruim. Muito em função da estrutura e não dos professores, que sempre se esforçaram muito. Para quinta série, fiz a prova para o Colégio Pedro II. Passei. Em 82º de 90 vagas. Da quinta série ao fim do ensino médio, ou seja, em 7 anos tive de tudo um pouco. Latim, artes, música, francês, espanhol, filosofia, sociologia mais o basicão do colégio. Depois disso fiz Economia/UERJ e hoje estou no mestrado da UFRJ. Também em economia.
Sempre tive a certeza de que o “pulo do gato” da minha formação. Ou seja, o que me trouxe até aqui foi o CPII. Uma formação ampla, de qualidade, que não formava somente o estudante, mas o ser humano. Ter aula de sociologia com um professor cego foi uma das melhores experiências da minha vida. Ver uma pessoa superar todas as dificuldades para simplesmente ensinar a ver e entender a nossa sociedade. Isso me faz concluir que o lugar aonde estou, para uma família onde nem meu pai e mãe tiveram curso superior, foi em função da minha educação em casa, obviamente, e formal. Do CPII. Posso afirmar assim que a “política de longo prazo” que mudou a minha vida, que me proporciona hoje ter oportunidades infinitas em relação a que meus pais tiveram foi a educação que recebi.
Mas o que tem isso a ver com o Cristovam Buarque? Ora bolas.
Em 2006, enquanto candidato, tinha uma proposta: Federalizar todo o ensino brasileiro e o padrão seria o CPII. Simples, direto e infelizmente com insucesso. Apenas eu e mais 2,6 milhões de pessoas votaram nele.
O engraçado dessa proposta é que, supondo que ele fosse eleito, o resultado dessa política seria sentido daqui a 15 ou 20 anos, igual a mim, e muito provavelmente no imediatismo dos nossos ciclos políticos ele não seria, por exemplo, reeleito presidente.
Vale o texto, pelo menos pra mim, como reflexão. Podemos mais? Pensamos de fato no futuro? No desenvolvimento? Temos propostas para analisar de fato? As propostas de fato “vão resolver” ou apenas são mitigadores de problemas?
Pelo menos o Cristovam Buarque foi reeleito a senador. Uma coisa a se comemorar em meio a tiriricas e malufs da nossa política.

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